Após a separação do Equador e da Venezuela, terminou em 1831 o que a historiografia nacional chama de Grã-Colômbia. Esta fracassou devido a uma combinação de fatores, incluindo diferenças regionais e problemas de liderança.
De 1819 a 1821, estabeleceu-se o Congresso de Angostura, uma assembleia criada para lançar as bases do governo republicano.
Neste congresso, Bolívar é declarado presidente e Francisco de Paula Santander, que também havia lutado nas guerras de independência, é nomeado vice-presidente.
Simón Bolívar, nascido em Caracas em 1783, foi um líder militar e político que desempenhou um papel crucial na independência da América do Sul. Proveniente de uma família abastada, foi educado na Europa, onde se impregnou das ideias do Iluminismo. Ao regressar, uniu-se ao movimento independentista venezuelano e, após vários fracassos iniciais, liderou uma campanha militar bem-sucedida em 1813 que libertou temporariamente a Venezuela. Por fim, buscou apoio no Haiti. Regressou com forças renovadas e, em 1819, obteve uma vitória decisiva na batalha de Boyacá, que permitiu a criação da Grã-Colômbia.
Francisco de Paula Santander, nascido em Cúcuta em 1792, foi um destacado líder militar e político durante e depois das guerras de independência da América do Sul. Formado em direito, uniu-se à causa independentista em 1810 e logo demonstrou ser um hábil estrategista e administrador. Santander desempenhou um papel crucial na campanha de independência da Nova Granada e foi nomeado vice-presidente da Grã-Colômbia em 1819, servindo sob a liderança de Simón Bolívar. Conhecido como o «Homem das Leis», Santander foi um firme defensor do governo republicano e das instituições legais, deixando um legado significativo na formação do Estado colombiano moderno.
No entanto, na prática, Santander seria o verdadeiro presidente, pois Bolívar marcharia para libertar outras terras, como Guayaquil, Peru e Alto Peru, que mais tarde seria chamado de Bolívia.
Bolívar poderia ter ficado para garantir a prosperidade do território já libertado, mas era um homem bastante ambicioso, e isso foi parte do problema.
Como o território independente era bastante grande e difícil de governar, começaram a surgir atritos entre vários líderes, incluindo os próprios Santander e Bolívar, que até então tinham sido muito bons amigos, mas que as circunstâncias do governo levaram à mais profunda inimizade. Bolívar passava o tempo todo pedindo dinheiro a Santander para financiar suas campanhas militares. E, como sempre se disse neste país, dinheiro não há, dinheiro era o que não havia. E era verdade. As guerras de independência tinham deixado finanças públicas inexistentes que se tentavam acomodar com empréstimos de bancos ingleses.
Graças ao imperialismo e à industrialização, o Reino Unido se tornou o principal exportador de capitais do mundo no século XIX. Essas exportações são realizadas por meio de inversões e empréstimos em vários países.
Não só se pretendia governar um território imenso sob o modelo centralista, mas também um território imenso que era desconhecido. Embora hoje possamos dizer o mesmo de forma sarcástica, naquela época os presidentes não tinham ideia de como era o país que governavam.
É por isso que Tomas Cipriano de Mosquera, militar e estadista que foi quatro vezes presidente, reúne por volta de 1850 um grupo de eruditos sob a liderança do engenheiro e militar italiano Agustín Codazzi para mapear a Colômbia e estudá-la.
Isso foi chamado de Comissão Corográfica, e seu objetivo era descobrir o que havia de particular na Colômbia, assim como nas décadas passadas a Expedição Botânica comandada por José Celestino Mutis se propôs a fazer o mesmo em seu âmbito, conseguindo identificar 20.000 espécies vegetais e 7.000 animais.
A comissão começou em 1850 e terminou em 1862 com várias peripécias. Os especialistas tiveram que percorrer a difícil geografia da Colômbia, ir de província em província, enfrentar mudanças de governo, duas guerras civis e problemas econômicos devido à instabilidade no financiamento.
Da Comissão Corográfica também saíram várias belas ilustrações em aquarela que hoje são das poucas coisas que temos para olhar visualmente o passado.
Codazzi até morre em 1859 por febres contraídas durante a jornada. E os resultados cartográficos e investigativos da Comissão são publicados de maneira irregular ao longo dos anos, e nem tudo o que foi investigado vem à luz.
Mas essa foi a Comissão. O esforço para encontrar o que havia de particular na Colômbia.
Voltemos agora ao presente. Continua sendo difícil apontar o que é particular na Colômbia, devido à sua variedade e extensão. Não só é o quinto país latino-americano com maior extensão territorial, como também tem mais de 52 milhões de habitantes, o que a torna o segundo país do mundo com mais falantes nativos de espanhol. Até mais que a Espanha.
Mas a Colômbia tem algo mais de particular nisso, pois apesar de sua extensão não é federal, mas centralista. De 1863 a 1886 foi federal e se chamou Estados Unidos da Colômbia, um dos tantos nomes que o país recebeu, e estava conformado por nove estados soberanos, que eram Antioquia, Bolívar, Boyacá, Cauca, Cundinamarca, Magdalena, Panamá, Santander e Tolima.
Mas os aborrecimentos dos conservadores e da igreja com o radicalismo liberal levaram entre 1876 e 1877 a uma nova guerra civil que hoje denominamos Guerra das Escolas. Não se nomeou assim por ter sido uma guerra entre instituições educativas — a Colômbia não é um filme universitário americano — nem porque se desenvolveu no interior das mesmas. Seu nome obedece ao fato de que estourou por uma reforma liberal que tornava laica parte da educação, criava novas escolas e trazia uma missão alemã para formar os professores.
Depois da Guerra das Escolas veio o movimento a Regeneração, apoiado pelos conservadores, o qual desfez as reformas liberais e voltou outra vez o país centralista. Depois da Regeneração, diga-se de passagem, explodiu a Guerra dos Mil Dias (1899 - 1902) devido às mudanças que o conservadorismo implementou.
Assim como Tomás Cipriano de Mosquera, qual destes mandatários foi quatro vezes presidente da Colômbia?
- Alfonso López Pumarejo
- Rafael Núñez
- Alberto Lleras Camargo
- Francisco de Paula Santander
Hoje, se olharmos as cifras, notaremos que Bogotá tem mais de 7 milhões de habitantes, o que a torna maior e com mais PIB que outros países latino-americanos, como Costa Rica — 5 milhões de habitantes —, Panamá — 4,4 milhões —, Uruguai — 3,4 milhões —, entre outros. Bogotá, a capital da Colômbia, é maior que outros países da América Latina!
Costuma-se dizer que a Colômbia é um país de regiões e de vários países dentro de um só e isso é verdadeiro. Os sotaques são a demonstração mais simples de como chegamos a estar separados.
Vejamos as seis regiões naturais do país. São chamadas naturais porque sua classificação responde às condições climáticas e do solo de cada uma. Estas são: a Região Caribe, Pacífico, Andina, Orinoquía, Amazônia e Insular. Apesar de esta classificação não ser nem política nem administrativa, permite rastrear diferenças econômicas e socioculturais.
Por exemplo, a região Andina é atravessada pela cordilheira dos Andes, uma cadeia montanhosa que nasce no extremo mais baixo da América do Sul e atravessa também Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador e o ocidente da Venezuela.
A passagem da cordilheira dos Andes pela Colômbia conta com três ramificações conhecidas como cordilheira Ocidental, Central e Oriental. Estas, além de climas mais frios, criaram regiões inacessíveis do ponto de vista da outra, o que tornou o trânsito pelo país difícil, tanto para José Celestino Mutis e sua equipe, como para os eruditos da Comissão Corográfica, como para todo mundo.
Qual destas é uma característica distintiva da região Andina?
- A presença de praias tropicais
- A presença de nevados
- A presença de cangurus
- A produção de petróleo como principal atividade econômica
Voltando à divisão do país por sua geografia, a região que melhor exemplifica isso é a do Pacífico, que ficou separada da região Andina e do resto do país devido à cordilheira Ocidental, o que contribuiu para o atraso econômico de seus departamentos.
Da mesma forma, o Pacífico se caracteriza por ser a região da Colômbia com mais população afrodescendente — com cerca de 94% — e por ser um dos lugares mais chuvosos do mundo, com precipitações anuais que oscilam entre 4.000 mm e 15.000 mm segundo a localidade.
E eis aqui outra particularidade da Colômbia: enquanto em outros países a homogeneidade demográfica é bastante marcada, na Colômbia esta varia de região para região.

Esta formação é um esforço para explicar a Colômbia, tanto para os colombianos quanto para os estrangeiros. Busca desvendar suas particularidades, peculiaridades, virtudes e defeitos, e dar-lhes um sentido. A Colômbia é um país que pode ser compreendido e, se a violência e a insegurança forem controladas, e se seus cidadãos decidirem agir com responsabilidade e usar bem seus recursos, também poderá se transformar e prosperar.